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Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso (2017)

Quando Suburbicon foi anunciado, eu já esperava que o público não entendesse de imediato à obra. Digo isso, por estamos em uma fase na qual, a interpretação do texto, é […]

Quando Suburbicon foi anunciado, eu já esperava que o público não entendesse de imediato à obra. Digo isso, por estamos em uma fase na qual, a interpretação do texto, é algo crucial para um diálogo simples e endereçado a aquela especifica pessoa, ou a um determinado grupo. Veja nosso ‘querido’ Donald Trump como exemplo; fazendo discursos cheios de raiva e preconceito, sendo enaltecido, aplaudido e até eleito pelo público que injustamente é alvo de suas palavras.

Assim, é bastante atual o argumento de que, uma família de negros se mudarem para um bairro majoritariamente conservador e branco, será sempre chocante . O preconceito não precisa estar escancarado, ou minimamente manifestado, para se perfizer. Ainda que, no filme de George Clooney, a ideia do racismo seja manifestada aos poucos, não é de se admirar que, mesmo atualmente, a premissa inicial do filme parece chocante.

Matt Damon é um dos destaques no filme.

Com o desenrolar da história, o que deveria ser um drama, na verdade se mostra uma trama cheia de suspense, com picos de violência homeopáticos. É por isso que ficamos muito mais chocados com a violência, do que com o racismo praticado paulatinamente ao longo do filme.  É irônico que, ao final, o que mais incomoda não é o sangue que espirra na tela, e sim, o fato de não ligarmos para injustiça praticada desde o início da história.

O que é mais interessante nisso tudo, é que o personagem vivido por Matt Damon pode – e deve – ser considerado um exemplo de como o pensamento da massa aliena o julgamento por parte do indivíduo. O filme deixa claro, que no momento da morte de sua esposa, a tão famigerada ‘família branca de classe A’, na verdade não escancarava seus problemas econômicos (muito menos os sociais), e por isso, quando os mesmos chegam ao seu ápice – por meio das personagens vividas por Julianne Moore e Oscar Isaac – tudo se resume a violência, ou seja, qualquer argumentação se torna inútil.

Trama começa como um drama, para então se tornar um suspense.

Seria triste, se não fosse irônico e ao mesmo tempo engraçado. Suburbicon não explora a concepção de drama social, pois, suas pretensões estão muito além do que o discurso do filme propõe. Não existem saídas fáceis para as situações propostas pelo filme, e por isso mesmo, seu final beira ao alivio. É por essas e por outras, que o filme de Clooney vai dividir o público.

                                                      Ótimo

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