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Submersão (2018)

Wim Wenders sempre flertou com o metafísico, e mesmo quando não o explorou, deixou a possibilidade do argumento – leia-se roteiro – satisfazer essa lacuna. Em Submersão, a conexão de […]

Wim Wenders sempre flertou com o metafísico, e mesmo quando não o explorou, deixou a possibilidade do argumento – leia-se roteiro – satisfazer essa lacuna. Em Submersão, a conexão de um casal ultrapassa justamente o obstáculo do argumento, mas acaba esbarrando na necessidade de se deixar a literalidade de lado em prol de uma experiência sensorial.

O amor entre os personagens de James McAvoy e Alicia Vikander emerge de forma natural, e até mesmo se desenvolve como qualquer outro. O problema é que por conta da narrativa, tudo se perde em prol da necessidade se construir qualquer cena, como uma aula expositiva sobre metafísica. A sutileza do relacionamento é superficialmente mostrada, mas cai na mesmice de qualquer outro romance de hollywood.

Wenders então tem culpa no cartório, pois, conta com cenários belíssimos a seu favor, e deixa a contemplação falar ainda mais alto, quando na verdade o que deveria prevalecer seria o ato físico em si. Ao final do 1º ato, a impressão é que o filme vai colocar uma série de flashbacks para mostrar porque cada personagem age da maneira que age. É redundante dizer que a escolha só piora a situação, que é contornada por ótimas atuações de McAvoy e Vikander.

Assim, enquanto o desenvolvimento cai na banalidade, o 3º ato é uma junção de tudo o diretor gosta, auxiliado por conta dos cenários e do casal de protagonistas. Você só consegue sentir a conexão entre eles próximo do final do filme, e não ao longo dele, o que facilitaria em tese, o fato de nos importarmos com o que vemos em tela. Mas nem por isso o filme é ruim.

Submersão não funciona com o didatismo de se expor a moral de A ou B. Na verdade ele enfatiza que a solidão é real, assustadora e natural. É como se Wenders quisesse explorar um ‘quê’ de Terrence Mallick, mas ciente de que isso afastaria ainda mais o público, e por isso, opta por criar situações de risco para ambos, para então justificar a tal ‘conexão’.

Em se tratando de um romance, o que se espera, é justamente um pouquinho dele. Wenders pensa de forma contrária, e acredita que aquilo que transcendente a realidade, e simplesmente não pode ser expresso através de gestos ou palavras, é o real significado de amor. Palavras são meras formalidades a quais nos sujeitamos quando ainda não conhecemos nossa alma gêmea.

                                                        Bom

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