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Dica da Semana: Retratos de Uma Obsessão

Numa época de tanta tecnologia, tantos apps voltados para elas e das tão faladas selfies, esse não podia ser um ano mais polêmico para comemorar o 175º Dia Mundial da […]

One Hour Photo
Numa época de tanta tecnologia, tantos apps voltados para elas e das tão faladas selfies, esse não podia ser um ano mais polêmico para comemorar o 175º Dia Mundial da Fotografia.

A “invenção” da fotografia é atribuída a um moço francês cujo primeiro nome, assim como 99% dos franceses, era Louis. Louis M. Daguérre. E desde o reconhecimento dessa invenção, o processo fotográfico e a importância dada aos cliques mudaram consideravelmente.
Até o fim do século XX o processo de tirar uma fotografia era demorado e consistia em posar, “bater” a foto e revela-la. A partir da invenção da câmera digital, que hoje é levada para todo lugar no celular, podemos tirar uma foto, analisa-la pra saber se gostamos ou não, colocar filtros e já postar nas redes sociais.

Se as fotografias propriamente ditas perderam um pouco de sua magia com o advento da tecnologia, no cinema, a fotografia é uma categoria muito importante para o resultado final do filme, pois é ela a responsável por harmonizar a película e conciliar a paleta de cores com a ambientação, a iluminação, a caracterização dos personagens e até a continuidade.

Embalada pela perspectiva do Dia da Fotografia e ainda pela trágica notícia da morte do Robin Willians, fiquei curiosa para conferir esse filme, Retratos de uma Obsessão (One Hour Photo, 2002), onde o ator mostra sua faceta mais sombria num longa que aborda a relação do ser humano com sua necessidade de registrar memórias com imagens.

Na trama, Robin Willians vive Sy, um homem solitário que trabalha revelando fotos e se vê obcecado por uma família em particular por ter acompanhado 10 anos da vida deles através de suas fotos.
O roteiro e direção de Mark Romanek criam bons momentos de suspense para o longa, principalmente devido ao fato do espectador já saber que Sy foi preso por um atentado contra a família, restando apenas descobrir a gravidade do ocorrido.

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Durante o desenvolvimento da trama, temos uma breve aula sobre o significado e a magia que envolve todo o processo de tirar e revelar uma foto, a emoção de não saber se as fotos ficaram boas até a revelação e o pudor (ou falta dele) para não tirar fotos comprometedoras, por saber que outra pessoa terá que vê-las durante o processo de revelação.
Ainda conseguimos refletir sobre a os sentimentos que as fotos que tiramos transmitem. Se antes fotografávamos apenas os momentos felizes, hoje sentimos necessidade de de fotografar cada momento do nosso dia, seja para compartilhar com os amigos, seja como uma autoafirmação de felicidade…

Esse suspense razoável cabe como uma luva na era de obsessão com fotos perfeitas na qual estamos vivendo.
Assistam e reflitam antes de tirar a próxima selfie com os amigos.

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