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Crítica: Um Lugar Silencioso (2018)

O silêncio sempre fez parte do cinema, tal como tantos outros recursos que mostram a evolução da sétima arte. Talvez por estarmos acostumados com as inovações que o cinema proporciona, […]

O silêncio sempre fez parte do cinema, tal como tantos outros recursos que mostram a evolução da sétima arte. Talvez por estarmos acostumados com as inovações que o cinema proporciona, acabamos nos esquecendo do básico, aquilo que fez os filmes de hoje serem megaproduções que geram rios e rios de dinheiro.

Pois bem, Um Lugar Silencioso faz questão de destacar que o som é a razão pela qual vivemos. ‘Um simples Eu te amo daquela pessoa, sempre faz nosso mundo ter sentido’. Dessa forma, sem poder expressar o básico com palavras, o filme explora a linguagem de sinais, como forma de comunicação, aproximação e identificação.

Parece estranho apontar tais percepções, mas sejamos sinceros, ainda que elas sejam divididas por uma linha tênue de difícil concepção para quem fala e ouve; o mesmo não pode ser dito para quem sofre com esse problema. O filme lembra que, o silêncio pode ser uma arma, mas é também uma forma de expressão. Seja no luto dos protagonistas Jonh Krasinski e Emily Blunt, seja através de um objeto que simboliza alguém – apesar das barreiras que impedem que nossa comunicação flua normalmente – o ser humano sempre é capaz de enxergar outra saída.

Como é através dos sons que os monstros do filme atacam, então será por meio do silêncio que todos os sobreviventes vão combate-los. É angustiante ser o espectador de um jogo de sobrevivência que suprime o principal elemento que torna o ser humano racional: a capacidade de falar. A mensagem que o roteiro apresenta, não é sobre a reflexão desse impedimento na sociedade, mas sim, como expressar algo que só as palavras conseguiriam perfazer.

A sobrevivência proposta pelo filme, já recebeu uma mesma abordagem cinematográfica revolucionária: em O Piano (The Piano, 1993), uma pianista muda tem de se entregar aos desejos de um senhor, simples e puramente, para sobreviver. Na obra, mesmo sem qualquer troca de palavras, o que era rancor e ódio, vira amor, e é justamente nisso que Um Lugar Silencioso acerta e dá mais um paço rumo a evolução do cinema: construir pontes indestrutíveis sem o uso da voz.

Estamos mal acostumados, mas o gênero terror tem se mostrado campo fértil para novas abordagens e perspectivas. Um Lugar Silencioso reitera que o cinema é uma forma de arte, e através dela, percebemos sensações diferentes, que variam de acordo com a situação. Ao estabelecer isso como um parâmetro para contar uma história, temos uma revolução do gênero.

                                             Excelente

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