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Crítica: A Qualquer Custo

O início do ano é sempre um período louco para cinéfilos no Brasil. Com a cerimônia do Oscar se aproximando, todos os principais indicados da premiação que não chegaram ao […]

O início do ano é sempre um período louco para cinéfilos no Brasil.

Com a cerimônia do Oscar se aproximando, todos os principais indicados da premiação que não chegaram ao país no ano anterior invadem as salas de cinema praticamente ao mesmo tempo, o que torna muito difícil decidir quais dos seletos filmes deve-se assistir ainda na telona. E uma coisa é clara, Hell or High Water merece a sua atenção.

Escrito por Taylor Sheridan (responsável pelo ótimo Sicário) e dirigido por David Mackenzie (dono de uma boa filmografia mas não muito popular, como o ótimo Encarcerado), A Qualquer Custo traz uma história intimista e que sabe exatamente o que quer contar e qual caminho seguir para isso.

Ambientado no atual Texas, o longa conta a história de dois irmãos de perfis completamente diferentes que se unem em um objetivo. Roubar pequenas quantias de bancos locais para quitar a hipoteca do racho de sua falecida mãe. O caso cai nas mãos do Marcus Hamilton, um delegado (Texas Ranger nos EUA) que prestes a se aposentar, volta toda a sua atenção nesta que será a sua última ação como um agente e está disposto a fazer tudo para encontrar os assaltantes junto com seu parceiro Alberto Parker.

A dinâmica do filme se torna genial ao nos entregar uma dupla de assaltantes que tem seus próprios conflitos, e uma dupla de policiais que também tem desavenças e fazer os 4 estarem “indiretamente” conectados durante a narrativa. Chris Pine está ótimo como o irmão Toby Howard, que apenas quer entrar nessa vida de crime por um pequeno momento, para assim garantir um futuro para seus filhos. Já Ben Foster surpreende na pele de Tanner Howard, o irmão violento que assassinou o próprio pai, saiu da prisão recentemente e tem prazer pela adrenalina do crime. Mesmo claramente se amando, o comportamento dos irmãos gera a tensão necessária para gerar um incrível estudo de personagens.

No outro lado da lei temos a dupla de rangers texanos, Marcus e Alberto. Com o primeiro disposto a capturar os irmãos a qualquer custo (Sim, o nome do filme deve vir daqui), e o segundo preocupado com a falta de otimismo do parceiro na sua futura aposentadoria. Os atores transparecem a velha amizade dos personagens e preocupação de maneira exemplar e nos conquistam com seu carisma.

Além de uma narrativa empolgante e muito bem escrita, junto de uma performance admirável de seu elenco, o filme entrega uma ótima trilha sonora que nas mãos de Nick Cave (Arquivo X) e Warren Ellis (Os Infratores) se torna extremamente chamativa desde que soa pela primeira vez. Mackenzie aqui sabe exatamente como guiar seu filme em ritmo e como explorar o temível e admirável deserto do Texas. Os enquadramentos do filme são lindos e seu 3º ato é absurdamente empolgante.

Um filme tenso, com uma série de indiretas aos bancos e suas burocracias, uma narrativa soberba e uma fotografia de tirar o folêgo. A Qualquer Custo não é só um dos indicados a Melhor Filme do Oscar 2017, como um dos favoritos ao prêmio e ainda um dos melhores filmes de 2016.

                                                Excelente

 

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  • Roberto Rodrigues

    O filme é um tipo de faroeste moderno, com um argumento tremendamente moderno e atual. Vale destacar a belíssima fotografia também.