Publicado em

Crítica: Me Chame Pelo Seu Nome

Romances geralmente tem uma tendência a ser didáticos, e de certa forma, pragmáticos.  Em certo momento de Me Chame pelo Seu Nome, fica claro que o aprendizado do protagonista, é […]

Romances geralmente tem uma tendência a ser didáticos, e de certa forma, pragmáticos.  Em certo momento de Me Chame pelo Seu Nome, fica claro que o aprendizado do protagonista, é também algo aplicável ao público. Desde a 1ª cena é cristalino que, a velha proposta de historia de ‘Amor de Verão’, até poderia ser utilizada aqui, mas esbarraria nos clichês que fazem romances memoráveis, tornarem-se somente mais uma história de amor com o final feliz.

O casal de protagonistas, Elio (Timothée Chalamet) e Oliver (Armie Hammer), estrutura seu relacionamento no descobrimento de todas as formas e sentidos. O amor não aflora de uma hora para outra, e, no primeiro contato entre ambos, fica muito mais evidente uma tensão sexual, do que algo mais sentimental. Isso é ‘culpa’, tanto do roteiro do filme, que explora o amadurecimento do protagonista hora de forma vertiginosa; quanto do diretor Luca Guadagnino, que trouxe à tona o vulcão em erupção que é a fase da juventude.

Interessante notar que, no caso do diretor, trata-se de uma evolução em relação ao seu trabalho anterior, que trouxe uma vertente mais madura e triste (mas não menos sexual) sobre o amadurecimento – falo aqui de Um Mergulho No Passado (A Bigger Splash, 2015).

Em ambos os apontamentos, fica claro que, a união perfeita entre o drama e o romance, não precisa estar exclusivamente associada à questão da direção, do roteiro, ou tão somente da atuação dos protagonistas, que, aliás, estão fabulosos. Naturalmente, você se identifica com o que acontece no filme, pois entende que, cada um de nós já passou por essa fase, e sabe que o amadurecimento acontece de forma diferenciada.

É por isso, que, saindo da ideia do didatismo comum do romance impossível, existe um lugar reservado para Me Chame pelo Seu Nome, como uma obra inovadora. Os 3 atos são idênticos a qualquer romance juvenil que você assista, mas eles são muito bem trabalhados em aspectos que tantos outros pecam. O significado de tornar-se um homem ou uma mulher é tão subjetivo, que, mesmo o cinema não conseguiu abordar todas as facetas possíveis sobre o tema. Por isso mesmo que a obra de Guadagnino é tão bola, pois ela compreende e absorve essa subjetividade em seu argumento (especialmente no final).

Impossível não chegar à última cena, e sentir que seu coração foi um pouco machucado, mas entender que isso faz parte da vida. O amor não é uma questão exata, e por isso mesmo, nosso coração sofre com a monta russa de emoções vivenciadas por Elio. Podemos não admitir, mas já passamos por isso também.

                                            Execelente

Deixe sua opinião