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Crítica: Animais Fantásticos e Onde Habitam

Animais Fantásticos e Onde Habitam é divertido, mas preocupa-se demais com sua sequência. O retorno para o consagrado, interessante e incrível universo da série Harry Potter é recheado de uma sensação […]

Animais Fantásticos e Onde Habitam é divertido, mas preocupa-se demais com sua sequência.

O retorno para o consagrado, interessante e incrível universo da série Harry Potter é recheado de uma sensação interessante de nostalgia, admiração e ansiedade de que cada vez mais o universo se mostre mais grandioso. Se a nova empreitada da Warner com Animais Fantásticos e Onde Habitam é assertiva em mostrar o universo para além dos muros de Hogwarts, por outro lado conforma-se em deixar que sua história seja nada mais do que uma terraplanagem para sua sequência – o que torna a história do filme um grande prequel que pode ser ou não interessante de acordo com o que deve acontecer nos próximos filmes.

Antes de continuar lendo você pode entender onde se encaixa o filme no universo de Harry Potter assistindo nosso vídeo especial: A cronologia de Animais Fantásticos e Onde Habitam.

Para quem não sabe esse é um pequeno livro de J.K. Rowling, autora da série Harry Potter, lançado originalmente para arrecadar fundos para caridade, e que fez aparições na série principal de livros. O livro é escrito pela autora sob o pseudônimo de Newt Scamander, um peculiar biólogo de criaturas mágicas, que busca entende-las e protege-las, e que tornou-se protagonista do filme. Com isso, o roteiro do filme é original, já que o livro base é basicamente uma enciclopédia de animais selvagens. Com isso, as liberdades que existiam para a criação do filme eram imensuráveis, mas infelizmente o tamanho de sua liberdade foi um empecilho para centralização da obra.

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Com diversos arcos narrativos, o filme exagera em contar história e panos de fundo que só serão de fato resolvidos ao final da obra, que antes de seus dez minutos finais caminhava para o marasmo de seu fraco roteiro, que parecia mal encaixado, com citações que pareciam ser apenas um indício para um futuro distante – entretanto, mesmo que a maioria de seus arcos sejam pouco interessantes, a aventura de Scamander termina incrivelmente completa, com a abertura para a sequência, capaz até mesmo de corrigir o fetiche por destruição da fiel Nova York apresentada no filme.

Mesmo com seus pontos amarrados, os pontos desinteressantes são vários. Seus personagens parecem flutuar em apenas uma camada de personalidade, seus trejeitos parecem ser a única maneira encontrada pela direção e pelos atores para representar seus jeitos peculiares, com base alguma explicada na história – seja o jeito amalucado de Newt Scamander (Eddie Redmayne), ou a maneira amargurada de Tina Goldstein (Katherine Waterston), ou o jeito desajeitado de Jacob Kowalski (Dan Fogler).Todos eles esbarram na simplicidade de uma única característica, e as tentativas de dar a cada um deles uma razão ou passado é simplista e contenta-se demais em confiar em suas sequências, o que torna com que de fato seja difícil se apegar a qualquer um dos personagens.

Animais Fantásticos e Onde Habitam (Foto: Divulgação)

Sem exceções, os atores não impressionam, mas ninguém compromete a qualidade da obra com suas atuações. Mesmo com personagens simples, ninguém parece se esforçar para entregar nada a mais em sua atuação – a atuação que começa o filme parece ser a mesma que se segue até poucos minutos antes do final, que parece destoante por sua coesão comparada ao restante da obra.

Animais Fantásticos e Onde Habitam é divertido, um bom retorno a um universo adorado e cultuado por fãs. Seu excesso de simplicidade em seus personagens compromete a obra, tal qual a atuação pouco inspirada dos atores, mas se salva em arrumar em tempo seus arcos demasiados e de ao menos juntar um trupe divertida para o que se segue. Como maneira de estabelecer conteúdo para suas sequências, que aparentemente terão histórias para contar em contraponto a seu capítulo inicial, a obra é competente.

 

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