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ENTREVISTA: Luiz Nai do Titan Game Studios

Estúdio brasileiro aposta na nostalgia e mantém plataforma para games da geração 16 bits. As gerações de consoles são impiedosas, e mesmo após o ciclo mais longo da sétima geração em geral […]

Estúdio brasileiro aposta na nostalgia e mantém plataforma para games da geração 16 bits.

As gerações de consoles são impiedosas, e mesmo após o ciclo mais longo da sétima geração em geral os consoles não costumam ter mais que cinco ou seis anos de vida útil até que a nova geração o enterre por completo – em geral é um processo gradual que começa quando as novidades não passam de jogos de esporte. Na outra ponta da balança, alguns desenvolvedores têm arriscado suas fichas ao manter-se em plataformas fora de circulação, apostando em uma base previamente instalada, nostalgia dos fãs e conhecimento amplo do hardware da plataforma. É o caso da Titan Studios, um estúdio brasileiro dedicado ao desenvolvimento de jogos para as plataformas clássicas da SEGA.

Logo da Titan Game Studios.

O estúdio é formado por dois fãs da SEGA, que tem como objetivo o desenvolvimento de uma ferramenta para criação de jogos e futuramente a publicação de games nas respectivas plataformas. O grupo aposta ainda no tradicional Mega Drive, e nos menos populares, mas igualmente importantes Saturn e Dreamcast – que somam em conjunto mais de sessenta milhões de unidades vendidas no mundo. Se a base não parece suficiente, os planos ainda envolvem o lançamento desses games para Android, uma base instalada exponencialmente maior.

O denominado Project Blaze, atualmente em desenvolvimento é a grande cartada do estúdio para o desenvolvimento de seus projetos, sendo uma engine própria eles não precisaram dos  kits de desenvolvimento originais das plataformas antigas da SEGA que não estão mais disponíveis (pelo menos não em preços aceitáveis). O trabalho do estúdio ainda está no começo – o sonho deve durar por um bom tempo até que possam desenvolver seus jogos.

Você pode conferir o vídeo do projeto abaixo, e pode também visitar o site  do projeto clicando aqui.

 

Nós entrevistamos o porta-voz do estúdio Luiz Nai, programador e idealizador do projeto.

Cultura Inútil:
Quais as motivações do estúdio para trabalhar com Retrogaming?

Luiz Nai:
Nossa principal motivação é que somos fãs da SEGA. Antes disso já usávamos nosso tempo livre escrevendo sobre essa empresa, fazendo remixes de músicas e participando de fóruns. Agora queremos ir mais longe através desse projeto.

Cultura Inútil:
A ideia de usar um console com base já instalada é bastante interessante. De que forma o time chegou a essa decisão, visto que em muitos casos é muito mais interessante o lançamento de games/engines para plataformas como os computadores?

Luiz Nai:
Tudo começou quando eu estava escrevendo um artigo para o Sega Nerds [popular site e fórum do tema]. Eu queria escrever algo bem profundo sobre o hardware do Sega Saturn e comecei a estudar a documentação dele, então eu achei algumas bibliotecas que um francês criou que acessavam o hardware do console. Eu como um programador bem curioso peguei aquelas bibliotecas e comecei a brincar até que consegui fazer algo rodar no Saturn.

Uma semana depois enviei um vídeo do meu teste pro Sidney [membro da Titan Studio], ele ficou impressionado, mas não tínhamos ideia de fazer nada ainda. Um dia em uma conversa eu perguntei para ele, se ele poderia fazer as trilhas sonoras pra um futuro jogo ele disse que sim. Acabei descobrindo que os talentos dele iam muito além de trilha sonoras, ele entende muito de gráficos e vídeos, então decidimos montar a Titan com foco nos consoles Sega e smartphone.

Cultura Inútil:
O SEGA Saturn, uma das plataformas em que vocês estão trabalhando, teve um grande potêncial não aproveitado em sua época. Apesar disso, ele ainda assim mostrou que em gráficos 2D era superior que seus concorrente (Playstation 1 e Nintendo 64) . De qual forma vocês pretendem explorar isso em seus projetos?

Luiz Nai:
Estamos trabalhando forte pra ter o melhor jogo possível, programar para Sega Saturn não é fácil, porém já estamos tendo bons resultados. Em nosso vídeo mais recente já estamos usando recursos como transparência, algo que todos diziam que não era possível no Saturn. Queremos muito fazer um jogo 2D que seja bonito usando o que a máquina tem de melhor.

Cultura Inútil:
Qual a maior dificuldade de trabalhar com um hardware como o do Saturn/Dreamcast, visto que ambos são hardwares proprietários da SEGA e seus Dev Kits são de acesso complicado?

Luiz Nai:
Como você disse os Dev Kits são de acesso complicado, então estamos tendo que criar tudo do zero. Muitas vezes fizemos algo que a máquina não suportava. Nós praticamente temos que fazer tudo na base da tentativa e erro, e então coletamos todas as informações para criarmos a nossa própria documentação com as nossas descobertas.

Cultura Inútil:
O apelo do Project Blaze é da criação de uma ferramenta útil para Homebrew, uma parcela importante no mercado de retrograming em geral. Por outro lado, vocês acreditam que comercialmente é possível a utilização dela para criação de novos jogos completos, como por exemplo, Pier Solar para Mega Drive?

Luiz Nai:
Acreditamos que sim, essa é a nossa intenção, criar uma base e depois fazer jogos em cima disso.

Cultura Inútil:
Quais são os planos futuros para o projeto? Como e quando ele deve estar apto a ser usado pelos usuários?

Luiz Nai:
Nossa ideia é terminar a engine até o natal, e então trabalhar no game no próximo ano. Nosso sonho é lança-lo na BGS 2017, vamos ver as oportunidades que vão aparecer.

Você pode conferir as atualizações do Project Blaze e da Titan Game Studios através do site titangamestudios.com e da Fanpage.

 

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